Cheio de técnica, disciplina e coordenação, o judô é um esporte que encanta a todos. Mas você conhece realmente o que é o Judô, quem o criou e quais as suas regras? Se você não sabe fique tranquilo, pois nesse artigo vamos te contar tudo sobre esse esporte!
Originado do Japão, o Judô é uma arte marcial que exige técnica e disciplina, e não obrigatoriamente força física, e por esse motivo pessoas de todas as idades podem praticá-lo.Além de desenvolver técnicas de defesa pessoal, a prática dessa arte marcial também fortalece o corpo, a mente e melhora a coordenação motora.
Os dois princípios do que é o Judô são: o seiryoku zenyo (máxima eficiência com mínimo esforço) e o jita kyoei (benefícios e prosperidade mútuos). Nas artes marciais o respeito, disciplina e concentração são fundamentos importantes para a prática das lutas.
O judô foi criado por Jigoro Kano em 1882, no Japão. Kano era praticante de Jiu-Jitsu e teve a ideia de criar uma luta que envolvesse a arte marcial que treinava com outras, e que com a prática obtivesse um desenvolvimento físico e mental.
A primeira academia de Judô foi criada pelo próprio fundador da arte marcial,também em 1882. Mas não parou no Japão, em 1889 Jigoro Kano foi estudar na Inglaterra, levando consigo o Judô, e em 1909, ingressou no comitê olímpico internacional, se tornando o primeiro japonês a realizar esse feito.
Em outros continentes o Judô também foi obtendo fama, como por exemplo na África, parte da Europa Ocidental, e nas Américas. Esse fato ocorreu porque os discípulos de Kano propagaram o Judô quase que no mundo todo.
Jigoro acreditava que a educação transforma as pessoas, então sempre incentivou seus alunos a propagar a arte marcial, com muito respeito e disciplina.
“Uma geração bem educada pode levar ensinamento para outras cem” – Jigoro Kano
A história do Judô no Brasil começa com a migração japonesa para nossa terra, mais especificamente com os japoneses Mitsuyo Maeda e Soshiro Satake, discípulos de Kano. No começo as pessoas não sabiam o que era o judô, mas os alunos de Jigoro conseguiriam realizar um ótimo trabalho disseminando a arte marcial.
Mitsuyo Maeda
Mitsuyo chegou em nosso país em 1914 e viajou por diversas cidades brasileiras, apresentando para as pessoas o Judô luta até então desconhecida por aqui, e em 1920 a prática do judô já começou a ficar famosa no Brasil.
Nesse período Mitsuyo conheceu a família Grace, e além de ensinar o Judô, Maeda junto com os Grace criaram o jiu jitsu brasileiro. Após a criação, Soshiro Satake espalhou o Judô e jiu jitsu pelo Brasil todo, tendo assim um papel fundamental para a propagação de ambas as lutas.
Soshiro Satake
A primeira instituição a coordenar o judô no Brasil foi a Ju-kendo-Renmei em 1933, porém quando a luta entrou nas olimpíadas em 1964 foi necessária a criação de uma instituição federativa do judô brasileiro, e em 1969 foi fundada a CBJ (Confederação Brasileira de Judô). Seu grande reconhecimento veio em 1972 quando o Brasil conquistou a primeira medalha olímpica.
Após toda essa história do judô no Brasil, com o passar do tempo ele foi se tornando cada vez mais praticado, e dessa forma houve a criação de academias de judô, campeonatos nacionais, aperfeiçoamento da prática, e até mesmo introdução da luta em treinamentos militares.
Os judocas brasileiros estão nos representando muito bem nas olimpíadas, sendo o judô a modalidade mais vitoriosa do Brasil nos jogos olímpicos, somando um total de 28 medalhas. Confira abaixo todas as nossas conquistas no judô olímpico:
Munique 1972
Chiaki Ishii – Bronze (Meio-Pesado)
Los Angeles 1984
Douglas Vieira – Prata (Meio-Pesado)
Luís Onmura – Bronze (Leve)
Walter Carmona – Bronze (Médio)
Seul 1988
Aurélio Miguel – Ouro (Meio-Pesado)
Barcelona 1992
Rogério Sampaio – Ouro (Meio-Leve)
Atlanta 1996
Henrique Guimarães – Bronze (Meio-leve)
Aurélio Miguel – Bronze (Meio-pesado)
Sydney 2000
Tiago Camilo – Prata (Leve)
Carlos Honorato – Prata (Médio)
Atenas 2004
Leandro Guilheiro – Bronze (Leve)
Flávio Canto – Bronze (Meio-médio)
Pequim 2008
Leandro Guilheiro – Bronze (Leve)
Ketleyn Quadros – Bronze (Leve
Tiago Camilo – Bronze (Meio-médio)
Londres 2012
Felipe Kitadai – Bronze (Ligeiro)
Sarah Menezes – Ouro (Ligeiro)
Mayra Aguiar – Bronze (Meio-pesado)
Rafael Silva- Bronze (Pesado)
Rio 2016
Rafaela Silva – Ouro (Leve)
Mayra Aguiar – Bronze (Meio-pesado)
Rafael Silva – Bronze (Pesado)
Tóquio 2020
Daniel Cargnin – Bronze (Meio-leve)
Mayra Aguiar – Bronze (Meio-pesado)
Paris 2024
Willian Lima – Prata (Meio-leve)
Larissa Pimenta – Bronze (Meio-leve)
Beatriz Souza – Ouro (pesado)
Equipes mistas – Bronze
Os atletas que praticam esse esporte utilizam kimonos com faixas amarradas na cintura, elas simbolizam os graus de aprendizado de cada lutador, e a sequência de cores ocorre da seguinte forma:
Zero Kyu (mukyu) – Faixa Branca (1 Trimestre de carência mínima)
11º Kyu (Juikkyu) – Faixa Branca/Cinza (1 trimestre)
10º Kyu (Jukyu) – Faixa Cinza (1 semestre)
9º Kyu (Kyukyu) – Faixa Cinza/Azul (1 semestre)
8º Kyu (Hachikyu) – Faixa Azul (1 semestre)
7º Kyu (nanakyu ou shichikyu) – Azul/Amarela (1 semestre)
6º Kyu (rokkyu) – Faixa Amarela (1 ano)
5º Kyu (gokyu) – Faixa Amarela/Laranja (1 ano)
4º Kyu (yonkyu ou shikyu) – Faixa Laranja (12 meses)
3º Kyu (sankyu) – Faixa Verde (12 meses)
2º Kyu (nikyu) – Faixa Roxa (12 meses)
1º Kyu (ikkyu) – Faixa Marrom (2 anos)
1º dan (shodan ou ichidan) – Faixa Preta (4 anos)
2º dan (nidan) – Faixa Preta (5 anos)
3º dan (sandan) – Faixa Preta (6 anos)
4º dan (yodan) – Faixa Preta (6 anos)
5º dan (godan) – Faixa Preta (7 anos)
6º dan (rokudan) – Faixa Coral (vermelha e branca) (8 anos)
7º dan (nanadan) – Faixa Coral (vermelha e branca) (8 anos)
8º dan (hachidan) – Faixa Coral (vermelha e branca) (9 anos)
9º dan (kyudan) – Faixa Vermelha (9 anos)
10º dan (judan) – Faixa Vermelha
A prática do judô ocorre em cima de um tatame, com dois judocas tentando ganhar a luta por pontos ou realizando movimentos perfeitos, para você entender melhor como funciona as regras do judô, separamos como ela funciona:
Ippon: Ocorre quando um lutador executa o movimento com perfeição, tocando as costas do adversário no tatame, e dessa forma ganha a luta automaticamente.
Pontuação: Os pontos são ganhos conforme execução das técnicas utilizadas, sendo elas de projeção e imobilização.
Osaekomi: As imobilizações que tem um tempo de 20 segundos fornecem a vitória imediata, ocorrendo assim um Ippon.
Waza-ari: Quando o atleta faz um movimento de um golpe que não correu com perfeição, mas ainda sim bem executado ganhando dessa forma meio ponto por isso, e quando ocorre dois Waza-ari, o lutador ganha o Ippon.
Shido: É a penalidade que o competidor pode receber caso faça algo proibido ou antidesportivo, como por exemplo técnicas perigosas que podem causar lesão, golpes com as mãos e os pés e torções nas articulações. Caso receba três shidos o atleta perde a luta.
Hansoku-Make: É a penalidade mais grave que pode ser aplicada na luta, e pode ocorrer quando acontece uma ação que possa gerar claros riscos à saúde física, intelectual ou moral do oponente. Caso ocorra o Hansoku-Make o competidor perde a luta no mesmo instante.
A seguir temos alguns exemplos de como funcionam os golpes no judô:
Te-waza (técnicas de braço, contendo 16 golpes).
Koshi-waza (técnicas de quadril, contendo 10 golpes).
Ashi-waza (técnicas de perna, contendo 21 golpes).
Ma-sutemi-waza (técnicas de sacrifício frontal, contendo 5 golpes).
Yoko-sutemi-waza (técnicas de sacrifício lateral, contendo 16 golpes).
Go Kyo no waza (contendo 5 séries que totalizam 40 golpes).
Osaekomi-waza (Imobilizações, contendo 10 técnicas).
Shime-waza (Estrangulamentos, contendo 12 técnicas).
Kansetsu-waza (Torções, contendo 10 técnicas).
E por aqui vamos chegando ao fim dessa trajetória maravilhosa sobre o que é o Judô, uma história rica e realmente fascinante e que com certeza seu criador ficaria feliz com o trabalho de seus alunos realizaram ao propagar o judô no mundo todo.
Não pare por aqui, agora que você sabe como funcionam as regras do judô, conheça também as regras do boxe e sua história, com certeza você vai se impressionar com toda a trajetória desse esporte.